segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Eterna mágoa


O homem por sobre quem caiu a praga

Da tristeza do Mundo, o homem que é triste

Para todos os séculos existe

E nunca mais o seu pesar se apaga!



Não crê em nada, pois, nada há que traga

Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.

Quer resistir, e quanto mais resiste

Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.



Sabe que sofre, mas o que não sabe

E que essa mágoa infinda assim não cabe

Na sua vida, é que essa mágoa infinda



Transpõe a vida do seu corpo inerme;

E quando esse homem se transforma em verme

É essa mágoa que o acompanha ainda!



Augusto dos Anjos


Um comentário:

  1. Rimas vivas, tecidas no olho vazio do crânio ancestral.
    Acho que isso resume minha visão do texto.
    Esse em específico lembra vários ensaios e textos negros de minha autoria, talvez até certo texto branco.
    Parabéns pelo blog.

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